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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Os meus amigos COLDPLAY



 Bem hajam, estava mesmo a precisar de um alento. Os meus alunos têm andado um pouco distraídos, mas não podemos, mesmo esquecer o que importa.


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Porque alguém pensa!

Porque alguém pensa, sente e escreve um texto, que é um abraço forte, apertado e generoso aos profesores em geral, que tanto dele precisam. 
 Obrigado Valter Hugo Mãe.

pormenor tecto da capela sistina Miguel Âgelo 




Este é o abraço que quero partilhar:


Os Professores (Valter Hugo Mãe)


Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida
inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas
acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se
fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e
simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os
meus treze e os quinze anos de idade.

A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito de liberdade
intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar
o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode,
por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria
do mundo em que o mundo se tem vindo a tornar.

Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a
muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas
semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do
testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço
regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele
quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não
tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e
atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir
conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que
os recebe.

Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro
de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os
transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma
aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesse crescido um
palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente.
Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se
discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo.

Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das
estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda
contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a
sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu
estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a
descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas
mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me
elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a
maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela
própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois,
felizes. Profundamente felizes.

Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da
meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos
diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu
coração galopava como se tivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que
começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora,
sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que
nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível.

Dá-me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que
odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os
professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores
são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum
miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da
maravilha que é a meninice dos nossos miúdos, que é pior do que nos
arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer
apenas sopa todos os dias.

Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as
escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do
mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um
condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas
esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade,
disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista
para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de
afeto.

As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os
professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é
indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não
podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que
forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço
é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de
educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se.


Autobiografia Imaginária | Valter Hugo Mãe | JL Jornal de Letras, Artes e
Ideias | Ano XXII | Nº 1095 | 19 de Setembro de 2012

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

QUEM AMA CUIDA


                                                      Quem ama, cuida e protege!






Foto tirada por alguém que preso de beleza a captou com o cuidado que perdura no olhar de quem a vê. 
Para olhar e refletir sobre esta frase "Quem ama, cuida!"

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Quero ter tempo!

                                              Sadie Harris - Carmina Burana
    
Quero ter tempo!  PLENO, guardado para o que me faz bem, para o que me faz ter força, para o que me dá alegria, para  sentir os pequenos, grandes sons da natureza! 
Para me sentir viva e não sobrevivente.

Para nos sentirmos vivos e não sobreviventes. 
Na escola temos cada vez menos tempo, a correria dos dias sufocam-nos de pressão, que não é saudável nem para nós professores, nem para os alunos. 
Por favor não me apresentem inquéritos sobre indisciplina. 

 Ufa! consegui sentar-me para escrever estas linhas. Apre!...  


  

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A pergunta sagrada

                                                                                          cirque du soleil 

Todos os anos acontece: "Professora este ano há teatro?"
A minha  resposta: "Claro que sim , no que depender de mim há de certeza". 
Quando, a que horas? Quando começa ?
Gostaria de não ter de dizer todos os anos : vamos ver. Gostaria de já ter inscrições feitas num bloco defenido a tempo e horas, gostaria de ter colegas interessados em colaborar, gostaria de ter uma escola a funcionar como devia. Gostaria de conseguir sair deste chove e não molha. Mas, não, cada ano que passa por uma razão, ou por outra , temos de percorrer uma espécie de via sacra que não ajuda.
Lembro-me de um colega que entretanto já se reformou que me dizia a propósito deste tipo de questões e de incertezas, demoras e questões adiadas ou mal resolvidas e que perante a minha indignação ou de outros colegas , dizia com uma certeza irritante: "mas claro que vais fazer perguntas  e ter dúvidas dessas agora e até te refomares, vai ser igual sempre, não resolves nada, não mudas nada, os problemas vão ser os mesmos". 
Pena, ter que, passados alguns anos, perceber que a certeza tão prontamente dita e que na altura me parecia  tão pouco possível de acontecer, se torna cada vez mais na coisa mais provável. 


                                                         
    

quarta-feira, 24 de julho de 2013

COISAS IMPORTANTES


 Refletir sobre o nosso comportamento, a nossa relação com os outros é talvez um dos exercícios mais necessários nos dias que correm. 
 Aqui estão alguns pensamentos de alguém  que mostrou de modo indelével, ao longo da sua vida  formas perfeitas  de estar consigo e com os outros. 



" Uma boa cabeça e um bom coração formam sempre uma combinação formidável "

        " Devemos promover a coragem onde há medo, promover o acordo onde existe conflito             e inspirar confiança onde há desespero. 
                                                                                                                Nelson Mandela 
        
         


" Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade 
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
a vida torna-se violenta e
Tudo se perderá" 
                                                          Charles Chaplin  
                                                                 


" A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos
 da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos  diferentes." 
                                                                                                                            Mahatma Gandhi

    

terça-feira, 10 de julho de 2012

SER

VAI SENDO O QUE SEJAS ATÉ SERES O QUE ÉS, QUE É DEUS SENDO;
E CUIDADO, NÃO TE PERCAS ENQUANTO VAIS SENDO.
                                                                             Agostinho da Silva    Espólio 



                                                                                                                foto de SANGHAMITRA SARKAR

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Pérolas de linguagem

Urgente aumentar, enriquecer o vocabulário dos nossos alunos. É raro o dia em que não fico espantada com a falta de vocabulário e a vulgaridade das frases repetidas até à exaustão com os "bués", os fixe" os"Tá-se bem"os "Népias", "os nerias",  e ainda com intercalados e rendilhados palavrões que fazem corar as pedras., tanto mais grave quando vindo sobretudo de alunos mais velhos, que deveriam ter evoluído e não regredido em linguagem e atitudes. E de repente alguém fica com cara de tolo quando se usa termos vulgares, palavras comuns, vocabulário que nunca nos passaria pela cabeça que não soubessem o significado. Grave! grave. Alguém esbugalha os olhos e pergunta o que é que é grave? E de facto o GRAVE chega-nos aos ouvidos com toda a sonoridade de um G, um R, um A, um V e um E, todos maiúsculos e bem sonantes. Mas nada é grave, pois não?...
 Isto é tudo para levar numa boa! Tás a ver! Que importância tem? "Mania dos cotas tarem no control!" 


Ai Sophia valei-me!...


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Deslumbramento




       "Adopte o ritmo da natureza. O segredo dela é a paciência."
           Autor - Emerson , Ralph



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Auto retratos

Conhecermo-nos é importante!. 
Nem sempre é fácil e quando tentamos descrever por palavras o que pensamos da nossa própria pessoa, fica sempre algo por dizer ou explicar. As palavras não bastam para cobrir todos os pequenos pormenores que traduzem a nossa personalidade, os nossos gostos, os nossos anseios, os nossos medos, as nossas esperanças... Aí a imagem dá uma ajuda. a cor, os traços a luz, a matéria, o movimento falam por nós com outras "palavras". Um auto retrato pode pois ter várias formas de expressão e usar a arte como intermediária.
auto retrato de Almada Negreiros 



auto retratos de Magritte 
                                                   auto retrato de Van Gogh 
auto retrato de Picasso

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Desafios

Um desafio de olhar. Porque não compreende, porque se revolta, porque não é assim que pensa e não aceita outra resposta, que não seja a sua. Isto vi hoje nos olhos de um menino que anda um pouco perdido. Tenho um desafio pela frente. Vou ter esse desafio mais vezes, será que todos os dias? Quando quiser passar alguma informação que seja útil mais tarde. Vou ter de usar toda a minha imaginação para o conseguir! Este é o desafio, de todos os dias para um professor e que nos propõe um trabalho de criação a cada minuto, segundo mesmo. Por um minuto se ganha ou se perde um aluno. E há que ter calma! Toda a calma do mundo...
Foto de  Gregory Colbert

que nem sempre está perto. Hoje foi um dia de desafios no olhar.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Pão e Rosas

Desenho de Joanna Concejo




As crianças precisam de pão e de rosas.
O pão do corpo, que mantém o indivíduo em boa saúde fisiológica.
O pão do espírito, que se chama instrução, conhecimentos, conquistas técnicas, esse mínimo sem o qual corremos o risco de não conseguir a desejável saúde intelectual.
E das rosas também – não por luxo, mas por necessidade vital.
Observo o meu cão. Claro, precisa comer e beber para não ter fome e não ficar, desesperado, com a língua de fora. Mas tem mais necessidade ainda de uma carícia do dono, de uma palavra de simpatia ou às vezes, só de uma palavra; do afeto que lhe dá o sentimento do lugar, o qual desejaria muito grande, que ocupa no mundo em que vive; de correr por entre as moitas ou só uivar demoradamente nas noites de luar, talvez para ouvir ressoar a própria voz, como se ela abalasse magnificamente o universo.
As crianças têm necessidade de pão, do pão do corpo e do pão do espírito, mas necessitam ainda mais do seu olhar, da sua voz, do seu pensamento e da sua promessa. Precisam sentir que encontraram, em si e na sua escola, a ressonância de falar com alguém que as escute, de escrever a alguém que as leia ou as compreenda, de produzir alguma coisa útil e de belo que é a expressão de tudo o que trazem nelas de generoso e de superior.
Essa nova intimidade estabelecida pelo trabalho entre o adulto e a criança, esse novo grafismo aparentemente sem objeto, valorizado pela matéria ou pela cor, esse texto eternizado pela imprensa, esse poema que é o cântico da alma, esse cântico que é o como um apelo do ser para o afeto que nos ultrapassa – é de tudo isso que vive a criança, normalmente alimentada de pão e conhecimentos, é tudo isso que engrandece e a idealiza, que lhe abre o coração e o espírito.
A planta tem necessidade de sol e de céu azul, o animal não degenerado pela domesticação não sabe viver sem o ar puro da liberdade. A criança precisa de pão e de rosas.”


C. Freinet em Pedagogia do Bom Senso

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

matar saudades









Hoje foi dia de matar saudades dos sorrisos de colegas, de uma dose de conversa boa sem stress de campainhas e de obrigações urgentes.
Ainda não se sabe nada de horários, mas sei eu que ao ser-me atribuida uma direção de turma, vou ter menos tempo para as actividades de teatro. Aliás muita gente me perguntou: O teatro acabou? Não pode ser!... Pois claro que não devia, pelo menos ter sido retirado da componente não lectiva, mas não me vou alongar porque como digo ainda não tenho horário para ver.
Mas vocês sabem que eu não desisto dos sonhos. Nunca, embora possa parecer.
Mas vão pedir de certo diagnósticos e etccccc.... Pois e formas de actuação futuras e veremos que mais. E o que tenho eu feito? Deus meu!
Sabemos que o Agosto foi sombrio! Mas o Sol espera por nós.