quarta-feira, 18 de março de 2015

No Tempo Dividido

Em memória da minha mãe


O sol e o dia brilham mas sem ti
Talvez não sejam mais o sol e o dia.
O sol e o dia agora
Estão lá onde o teu sorriso mora
E não aqui.

Como quem colhe flores tu serena
Vais colhendo sem chorar a nossa pena
Olhas por nós sem mágoa nem saudade
E o céu azul, a luz, as Primaveras
Habitam na perfeita claridade
Em que nos esperas.


Sophia de Mello Breyner Andresen "No tempo Dividido"


Para Sempre

Por que Deus permite 
que as mães vão-se embora? 
Mãe não tem limite, 
é tempo sem hora, 
luz que não apaga 
quando sopra o vento 
e chuva desaba, 
veludo escondido 
na pele enrugada, 
água pura, ar puro, 
puro pensamento. 
Morrer acontece 
com o que é breve e passa 
sem deixar vestígio. 
Mãe, na sua graça, 
é eternidade. 
Por que Deus se lembra 
— mistério profundo — 
de tirá-la um dia? 
Fosse eu Rei do Mundo, 
baixava uma lei: 
Mãe não morre nunca, 
mãe ficará sempre 
junto de seu filho 
e ele, velho embora, 
será pequenino 
feito grão de milho. 

Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas' 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Ser poeta é ser mais alto...


Poesia é o que nos traz ocupados nos últimos tempos,  porque a diremos em breve, juntos na nossa exposição na Be/cre. 
Aqui fica uma versão do belo poema de Florbela Espanca na voz de Luís Represas, para quem não conhece, nem nunca ouviu. 


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Juntar as peças do puzzle

12 ANOS DE TEATRO NA ESCOLA 
Começámos no Natal, por colocar um dos cenários que se usaram na representação do cavaleiro da dinamarca  num dos lugares em que a peça foi apresentada. 
O Pinheiro que ficava junto à casa do cavaleiro, no corredor que se transformou no caminho onde o cavaleiro iniciou a sua viagem, exatamente no dia a seguir à ceia de Natal.

 
                           Sala que abrigou a casa do cavaleiro
A sala à luz das velas transformou-se: deixou de ser sala de aula e levou-nos à Dinamarca numa noite de Natal 




Agora estamos a preparar a nossa exposição "12 anos de teatro na escola"  para ser vista na Be/Cre. É como juntar as peças de um puzzle. 
 Recolher, seleccionar e juntar segundo determinada ordem. Sabemos que há muita maneira de cozinhar ovos: estrelados, mexidos, escalfados, cozidos e por aí fora.,. Pois também nós temos de pensar como fazer os nossos ovos. 
 Tem sido divertido ver quanta coisa temos guardada e que queremos mostrar. Não vamos ter muito espaço, por isso é preciso escolher bem e pensar como arrumar as peças do puzzle, para que fique visível e por consequência entendível. 
 Alinhar trabalho de 12 anos, não é fácil, mas também vamos lá ver................................ temos o ano todo, para ir mostrando coisas. Ah! pois é! ...e ideias não estão a faltar.
 Vamos então escolher bem e juntar tudo bem juntinho, com amor e carinho, porque é isso que tem caracterizado o clube Tecto. 
 Ao trabalho meninos e meninas.  

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Bom 2015


Com pouco, se faz muito, caso o queiramos fazer . Sim! por vezes.
A força de vontade e a certeza daquilo que se quer. 
 Bom 2015, para quem acredita que vale a pena sonhar!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Poesia


                                                                                  "Burden of dreams "  Maggie Taylor 


Vento no Rosto

À hora em que as tardes descem,
Noite aspergindo nos ares,
as coisas familiares
noutras  formas acontecem.

As arestas emudecem.
Abrem-se as flores nos olhares.
Em perspetivas lunares
Lixo e pedras resplandecem.

Silêncios, perfis de lagos,
Escorrem cortinas de afagos,
Malhas tecidas de engodos.

Apetece acreditar,
Ter esperanças, confiar,
Amar a tudo e a todos.
                  
                                                             
                                 António Gedeão