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terça-feira, 30 de novembro de 2010

A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas


Almada Negreiros: Retrato do poeta Fernando Pessoa



A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas


Age como um deus doente, mas como um deus.


Porque embora afirme que existe o que não existe


Sabe como é que as cousas existem, que é existindo,


Sabe que existir existe e não se explica,


Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,


Sabe que ser é estar em algum ponto


Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.



terça-feira, 23 de novembro de 2010

A FESTA DO SILÊNCIO

Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.

Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.

Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.

António Ramos Rosa,
em "Volante Verde"

.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Matilde Rosa Araújo


Que o silêncio
Verde
Da Floresta
Não saiba nunca
O silêncio
Negro
Das cinzas

Matilde Rosa Araújo
As Fadas Verdes





Lembro com enorme carinho as palavras de Matilde, referindo-se ao trabalho dos professores "Respeito muito o trabalho dos professores, eles que devem fazer de cada aula uma catedral de alegria".

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Felicidade

Felicidade


Pela flor pelo vento pelo fogo

Pela estrela da noite tão límpida e serena

Pelo nácar do tempo pelo cipreste agudo

Pelo amor sem ironia - por tudo

Que atentamente esperamos

Reconheci tua presença incerta

Tua presença fantástica e liberta



Sophia de Mello Breyner Andresen. Livro Sexto